A Conversa Sublime
- GRESG

- 8 de dez. de 2025
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Recolhei vossas inquietações, ó filhos da senda, e escutai-me com reverência, pois vos relatarei episódio de grande significação, ocorrido quando o firmamento espiritual se enfeitava com o sopro luminoso do Natal eterno.
Nas plagas superiores, onde a luz repousa como bruma sagrada e o silêncio se faz cântico, caminhava o venerando Nicolau, aquele que o mundo dos homens nomeia Papai Noel. Sua túnica rubra, símbolo preservado dos séculos, pendia-lhe pesada, como se refletisse o peso das interrogações que lhe palpitavam no íntimo. Seu semblante, outrora festivo, trazia a marca suave dos espíritos que despertam para realidades mais vastas.
E então, provindo de claridade que não cega, mas consola, aproximou-se o Nazareno Divino, cuja serenidade transbordava como manancial de paz. Sua presença não era esplendor, era quietude, e na quietude, força; e na força, amor sem limites.
Nicolau ergueu os olhos e falou com voz trêmula:
“Senhor… desde eras almejo dirigir-Te confissão. Os mortais me vêem como portador de dádivas terrenas; contudo, meu espírito interroga-se: ao distribuir bens, não me detenho apenas na superfície? Meu desejo é consolar… mas temo estar apenas adornando a dor.”
O Cristo respondeu, em tom que parecia unir céu e terra:
“Nicolau, companheiro de jornadas longínquas…
Nenhum ato de alegria sincera perece no abismo do tempo. Quando acendes a esperança no coração de pequeninos e adultos, sem o demandar, te tornas instrumento da luz. Tua dúvida, porém, revela maturidade: o espírito que indaga já se encontra em ascensão.”
Nicolau, curvando-se, continuou:
“Vejo lares em discórdia, espíritos atribulados, almas ressequidas. Ofereço-lhes presentes, mas não lhes atinjo a ferida profunda. Que é o brilho de um objeto ante a sombra que obscurece o coração? Ansiaria ser bálsamo, não apenas ornamento efêmero.”
E o Mestre disse:
“A cura verdadeira não germina do que se toca, mas do que se vive no íntimo.
Recorda-te: cada espírito progride através de lutas, renascimentos e provações, no fluir das eras. Ainda assim, tua missão não é vã.Tu representas o gesto espontâneo, a dádiva ofertada sem exigência - e essa lembrança desperta, em muitos, a memória perdida do bem.”
Nicolau retrucou, em voz embargada:
“Mas muitos se prendem ao prazer das coisas, como se felicidade fosse possuir. Que se passa, Mestre, quando minha figura, destinada ao amor, é usada para o excesso e o esquecimento do espírito?”
Jesus sorriu com a paciência dos que compreendem:
“A Terra é escola de contrastes. Alguns corações, ainda infantis, confundem brilho com luz. Mas por tua presença, até eles, cedo ou tarde, aprenderão que a dádiva verdadeira reside na alma que ama. Não abandones o encargo por causa dos que ainda dormem.”
E Nicolau:
“Desejo, Senhor, deixar traço que não pereça. Como posso servir além do gesto material?”
Jesus respondeu com voz que era brisa e comando:
“Eleva, então, a intenção de teu coração. Ao entregares um presente, oferece junto pensamento de luz: ‘Que esta dádiva inspire união, ternura e compreensão.’
Nas regiões sutis, pensamento é força, e força é semente que germina no tempo oportuno.”
Nicolau baixou a cabeça, tocado:
“Jamais suspeitei que meu labor pudesse converter-se em ministério.Via-me apenas como figura festiva… agora percebo que posso ser servo do Bem.”
O Cristo prosseguiu, com gravidade doce:
“Assim amadurece o espírito: encontrando sentido profundo no que antes parecia trivial. Não são os atos grandiosos que purificam, mas a luz silenciosa que neles se deposita.”
Então Nicolau perguntou:
“Crês, Mestre, que os homens, um dia, compreenderão que o Natal não é comércio, mas renascimento da alma?”
Jesus respondeu:
“Sim, filho. O espírito humano desperta passo a passo, século após século.
Muitos já percebem que o Natal é convite ao perdão, ao recomeço, ao abraço que reconcilia. E os que ainda não compreendem, compreenderão no tempo de Deus, que é sempre justo.”
Nicolau, com esperança renovada, disse:
“Se permites, acrescentarei às dádivas palavras simples, porém vivas:
‘Sê conforto para alguém.’
‘Oferece perdão.’
‘Escuta com amor.’
Serão sementes lançadas no campo do mundo.”
E Jesus concluiu:
“Sementes, filho, são promessas. Uma gota de bem pode tornar-se rio, e um sussurro de amor pode erguer gerações. Segue, pois, teu caminho.Leva alegria, mas agora que tua alegria seja chama que ilumina consciências.”
Nicolau ajoelhou-se, murmurando:
“Recebo, Senhor, dom que não se encerra em mãos: a compreensão.”
E Jesus, com olhar que abarcava séculos, afirmou:
“Levanta-te. E prossegue. Pois todo aquele que espalha luz, ainda que em silêncio, já caminha comigo.”
Um mentor.





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