Redenção
- GRESG

- 8 de dez. de 2025
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REDENÇÃO
Na visão de Paulo e Madalena
PAULO
Senhor da vida o que posso vos dizer nesta hora em que recordo. Recordo meu tempo, nosso encontro...
Ah Senhor! Foi tão divino e o foi pelo divino que sois. E... Escolheste-me Senhor...
Eu, um pobre andarilho no tempo, de sandálias rotas com os pés ainda necessitando tocar o chão da terra... Eu... Aquele que perseguiu seus fiéis seguidores...
E nem assim desprezaste-me, deixando-me só ao rés do chão a clamar pelas migalhas... E, ao invés ofertou-me o banquete do vosso Evangelho...
Ah Senhor, acolhei-me sempre... Preciso tanto do vosso aconchego!
Paulo fala devagar e refletindo e olhando para um ponto alto e sorrindo enquanto fala. Depois se assenta com vagar na cadeira do fundo. Fica um tempo refletindo, enquanto a música é aumentada.
PAULO
Olhem, quero dizer-lhes que já não sou eu quem vive, mas sim o cristo que vive em mim e, vejam: tudo nós é permitido, mas nem tudo nos convém. Tudo nos é permitido, mas nem tudo nos edifica.
Assim pensando chegaremos a entender que: Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Suportar, não meramente tolerar ou “aguentar”, mas sustentar com amor.
Ainda que falássemos a língua dos homens, e a língua dos anjos, sem amor, nada seriamos!
PAULO
Oh, desperta ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti. Quando pensava nas dificuldades que envolvem os trabalhadores de Jesus, sempre dizia para mim mesmo: Eu tudo posso naquele que me fortalece...
Que o amor de vocês não seja fingido. Que seja sincero. E aborreça o mal.
Paulo caminha até a mesa onde estão pergaminhos e uma caneta de pena de pavão e revê alguns escritos. Paulo que estava escrevendo, lê em voz alta o que escreveu:
PAULO
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Entra Madalena no recinto, e vê Paulo. Olha a cena de Paulo escrevendo e os amigos espirituais ditando a ele. E começa a charlar com Paulo.
MADALENA
Era um dia de muita tristeza. Cheguei de Magdala a Cafarnaum. Precisava encontrar alguém. Disseram-me que era difícil, que os homens não permitiriam minha aproximação. Com o coração despedaçado aproximei-me da casa do seu apóstolo e... Ele, O Senhor Jesus veio me receber!
- Aproxima-te minha irmã. Disse-me com suavidade.
Olhei em seus Olhos e vi ali toda a nobreza de Deus. Aquele Deus do qual me afastei.
- No Reino de Deus há espaço para todos. Disse-me novamente e sua voz penetrou fundo minha alma... Ah que ventura! Jamais conseguirei dizer...
- Sou pecadora, Senhor!
- Deus não vê nossos pecados e sim nossas redenções.
- Terei eu o perdão?
- Deus não perdoa, irmã. Ele ama!
Sua voz era penetrante e quase desfaleci. Quem era eu para receber tanta bondade!
- Veja aquele céu azul que reina no infinito?
- Sim... Respondi quase que balbuciando.
- Ali estão as muitas moradas da Casa do Nosso Pai...
Apruma-te para elas, pois que também te pertence!
Madalena, ajoelhada e contrita fica por assim um momento. Paulo que vai até ela e a levanta.
PAULO
Irmã Madalena!
MADALENA
Irmão Paulo!
PAULO
Faz tempo que não a vejo, certamente anda muito ocupada com os afazeres cristãos junto aos nossos irmãos encarnados e desencarnados próximos...
MADALENA
É pouco o pão que podemos ofertar, contudo essas oferendas tem o sabor legitimo da fraternidade. Assim, distribuo entre os homens a solidariedade e o entendimento que todos devem entre si. E você, Paulo, o que faz?
PAULO
Colho os frutos do meu passado de trabalho ativo no bem e ajudo esta humanidade a se preparar para o futuro que virá e que inundará o mundo de curas reais e conhecimentos legítimos.
MADALENA
Um dia cheguei trôpega e cansada e Jesus me acolheu. Desde aquele dia posso dizer como você disse:
Já não sou eu que vivo, mas o cristo que vive em mim.
PAULO
Um dia seguia regiamente os ensinos da Lei do meu povo e ele surgiu envolto numa luz que me cegou. A partir daquele momento eu disse:
Que miserável homem que eu sou; quem me livrará do corpo desta morte. As coisas que quero fazer eu não faço, as que eu não quero, isso sim eu faço.
Eu me reconheci como era e só tinha um caminho: Seguir Jesus.
MADALENA
Ele me confortou e a seus pés eu disse:
- Senhor, tenho amado a tantos, mas ainda tenho sede de amor!...
- Sim - falou Jesus, tua sede é real, O mundo viciou todas as fontes de redenção e é imprescindível compreenda que em suas sendas a virtude tem de marchar por uma porta muito estreita.
A porta foi muito estreita como Ele disse, mas, consegui por ela penetrar e ir até chegar ao céu que habita meu coração.
PAULO
Nossas lembranças, Madalena, nos fazem mais felizes ainda. Houve um tempo eu era Saulo, o perseguidor...
MADALENA
Houve um tempo Paulo, eu era a Maria – cortesã em Magdala.
PAULO
Depois no outro tempo eu me transformei e me tornei Paulo, que pregou para o gentios a mensagem redentora do mestre Jesus!
MADALENA
Depois no outro tempo eu me transformei na mãe dos leprosos e preguei a eles a redenção após cumpridas nossas tarefas aqui.
PAULO
Chegou o fim da vida física. Ajoelhado perante o soldado do Prefeito de Roma, abaixei minha cabeça que em seguida rolou pelo chão...
MADALENA
Chegou também o fim da minha vida. Saí daquele vale, estava também leprosa, queria encontrar Maria, a suave Mãe de Jesus. Cheguei até as portas de Éfeso onde ela morava, mas não consegui encontra-la porque o meu fim chegou...
PAULO
Ananias, Abigail e Estevão me acolheram e para minha surpresa Jesus também surgiu e me disse:
- Vem Paulo, sê feliz em meu Reino...
A nele me encontro até hoje a serviço do Mestre Jesus.
MADALENA
Éfeso me aparecia à vista, meu corpo alquebrado negou-se a caminhar. Modesta família de Cristãos do subúrbio recolheu-me numa tenda humilde, caridosamente e por largos dias de padecimentos debati-me entre a vida e a morte. Uma noite, atingiram-me o auge as profundas dores que sentia. Minha alma estava iluminada por brandas reminiscências e, meus olhos se acharem selados para aquela vida de glória e de luz!
Paulo e Madalena se buscam e, de mãos dadas, olhando um para o outro, dizem:
PAULO
Tudo passou, Madalena.
MADALENA
E tudo retorna Paulo.
PAULO
Nossa redenção nos torna livres para irmos e voltarmos onde e quando quisermos.
MADALENA
É assim que Deus quer para seus filhos...
PAULO
Um ser redimido é aquele que vence este mundo e busca mundos além...
MADALENA
Um ser redimido Paulo, também é aquele que esquece as amarguras e dores daqui e, vencendo-as, voa livre em busca de Deus.
PAULO
Que andemos e circulemos e que onde estivermos falemos de Deus!
MADALENA
Sim, Paulo! Falemos de Deus com a clareza da verdade e da certeza: com um poder de corpo e alma que não possa ninguém, à passagem nossa, não o entender.
PAULO
Falemos de Deus brandamente, que o mundo se pôs dolente, tão sem leis. Falemos de Deus com doçura, que é difícil ser criatura: bem o sabemos.
MADALENA
Falemos de Deus de tal modo que por Ele o mundo todo tenha amor à vida e à morte, e, de vê-Lo, O escolha como modelo superior.
PAULO
Com voz, pensamentos e atos representemos tão exatos os reinos Seus. Falemos de Deus.
MADALENA
Falemos de Deus!
Por Guaraci de Lima Silveira





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